segunda-feira, 22 de novembro de 2010

wikimerda - distância - por mim.

A distância é só o espaço entre eu e você durante um determinado período de tempo.
Mas vamos pensar pelo lado positivo, o que nem sempre acontece.
Eu estou no mesmo planeta que você.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Oito e meia de uma terça-feira.

O dia não era o mais bonito do ano, nem perto disso, era nublado e no céu havia algumas nuvens que pareciam engolir cada vez mais a cidade. Nem o tempo, nem a rapidez com que os dias passavam me preocupava, sem ser notada por ninguém eu continuava ali sentada naquele muro quase terminado esperando a chuva vir pra que eu pudesse chegar em casa molhada e ter a desculpa para dar à minha mãe de que eu não poderia sentar à mesa para jantar, aquilo para mim era absolutamente dispensável, sempre os mesmo assuntos, sempre falando da vida dos outros, sempre criticando alguma coisa, alguém. Na espera, de repente a chuva vem fraca, depois toma força e eu atentamente tentando acompanhar cada pinguinho dela que batia com força no chão e mandava respingos pro alto. Enquanto minha dor de cabeça me atrapalhava de fixar os olhos nas gotas, descobri um som diferente, um som de dor misturado com angústia, o que me era muito familiar. Olhei pro lado e vi uma menina, não era bonita nem feia, nem magra nem gorda, nem alta nem baixa, mas era uma menina cujo a tristeza transparecia cada vez mais nítida. Ela nem se quer tentou disfarçar seu choro, que parecia ter segurado séculos e finalmente ter conseguido por tudo aquilo pra fora. Não que chorar fosse resolver alguma coisa, disso eu e ela sabíamos. Resolvi perguntar a ela se tinha acontecido alguma coisa, ou se eu podia ajudar de alguma forma, o que não acontece todos os dias, nem o meu interesse em ajudar alguém, nem alguém estar disposto o suficiente para ajudar você quando mais precisa, enfim, ela se virou pra mim, com o rosto todo borrado de maquiagem, e me perguntou porque as pessoas tem a mania de esperar tanto das outras pessoas. Eu não sabia bem ao certo se eu podia ou não responder a verdade a ela, então resolvi me calar. Respirei fundo tentando achar uma resposta menos cruel para aquela pergunta que também me intrigava quase sempre, mas que eu num dia qualquer tinha descoberto o motivo. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela me pegou pela mão, me levou pra parte do muro que já estava terminada, onde não chovia graças a um toldo verde e velho de uma loja de discos. Quando chegamos lá, eu me sentei, ela se sentou ao meu lado, ainda em prantos, pegou um cigarro em sua bolsa bordada e me ofereceu um, eu aceitei, acendemos e ficamos ali por alguns minutos sem trocar uma só palavra, observando a chuva que caía cada vez mais forte. Do outro lado da rua no final de uma avenida um ônibus aparecia, todo iluminado. Ela se levantou e olhou pra mim, jogou seu cigarro no chão, me disse que tinha que ir embora, e foi.
Eu tinha certeza que nunca mais a veria na minha vida, e que eu nunca poderia dizer à ela, o por que é que as pessoas esperam tanto uma das outras. Torço para que ela saiba um dia, que as pessoas não são metade do que deveriam ser para esperarem algo das outras pessoas, que também não são dignas o suficiente para que alguém espere algo delas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Areia

Eu podia sentir a terra molhada envolvendo os meus  pés mais do que qualquer dor de cabeça. Estava caminhando na única direção que havia para caminhar, lá não existia o  livre arbítrio e nenhuma outra estrada para seguir. Não sentia o cansaço, a fome ou qualquer dor muscular, somente a minha cabeça pesava mais e mais. As cores vibrantes invadiam meus olhos, o vento me arrepiava, e eu tremia de calor no frio. Aquele meio sol, que meio esquentava, no meio da noite, porque nunca amanhecia só me intrigava. Eu só caminhava e caminhava em direção a não-sei-o-quê. Só sei que não podia parar de caminhar, afinal, se eu parasse nunca iria chegar,  só aí eu descobri o quanto medo eu tinha de ter de caminhar sozinha, e  descobri também que quando se sabe o que virá pela frente as coisas se tornam muito mais fáceis. Projetei alguém para seguir comigo. Sempre fui tão egoísta e sempre gostei tanto de mim que ME projetei para seguir comigo. O que a tranquilizava e o que a irritava eram exatamente os mesmos motivos que me faziam ser quem sou, me irritar ou tranquilizar, dentre estes há outros sentimentos que nos assemelhavam cada  vez mais, entre um olhar e outro nos sentíamos cada vez mais parecidas. Me sentia absurdamente a vontade na presença dela, da minha projeção. Seguiu comigo milhas sem falar uma só palavra, me protegendo, apagando qualquer medo de dentro de mim, tirando os obstáculos do caminho, me amando como se eu fosse a única pessoa que seguia aquela estrada, e era. Só não entendia o fato de que se aquela presença não estivesse comigo eu automaticamente não existia, ou melhor, existia, porém só caminhava, numa estrada onde a única paisagem que eu conseguia ver era o arco-íris que se mostrava em preto e branco. O menos estranho de todo o caminho percorrido era que, o arco-íris exibido o tempo todo só ganhou cor quando a a progeção me tocou, aí soube que não era progeção, que não era da minha cabeça, não era uma fantasia e não era eu, aparecia e sumia todas as noites. Não se parecia fisicamente comigo, isso eu tinha de admitir, mas com certeza era coisa mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida, o que era estranho porque na verdade eu nunca havia visto ninguém, além do meu reflexo naquelas poças de água que além de me refletirem lavavam meus pés, excerto quando estavam sujos de areia, eu gostava quando eles estavam com areia, evitava pisar em qualquer coisa que removeria os grãos dali. Se não era eu, nem uma progeção da minha cabeça quem mais seria ?  Eu evitava pensar nisso durante a nossa caminhada, na verdade eu não precisava saber quem era, nem de onde viera, só precisava daquela presença. Nós não dormíamos, não comíamos, não conversamos, os meus olhos focaram-se  naquela imagem raramente, mas a lembrança de sua face era intacta dentro da minha cabeça. Eu tinha certeza de que aquela presença não iria embora para sempre, não conseguiria seguir sem mim, nem eu sem ela. Eu já era a dona dela, e ela a minha.
 Num dia qualquer, estava chovendo e não sei em que ano foi, mas acho que estávamos próximos do século XX, aquilo que me protegia resolveu então falar comigo:
___ Eu sonho com você todas as noites.
Aquela era a voz que os meus ouvidos sempre quiseram ouvir, eu nunca havia escutado outra voz que não fosse a minha conversando com algumas plantas, animais ou comigo mesma, qualquer outra coisa que eu imaginasse que pudesse me ouvir, e sem contar com as mil e uma vozes que eu ouvia diariamente mas a origem delas era a minha cabeça meio perturbada e disso eu sabia. Era voz de homem, crescido. Na minha cabeça a voz de um homem de verdade era aquela.
Me dei conta de que não conseguiria responde-lo, a surpresa foi grande.
___ Eu não sei porque você  aparece nos meus sonhos, sempre nesta mesma estrada, com essa mesma música, com o mesmo cheiro, com esse mesmo olhar de quem confia, só te peço pra nunca mais desaparecer, pois enquanto não durmo e sonho com você tenho pesadelos.
Eu, assustada, feliz, desconfiada e confiante respondi:
___  Eu não sabia que sonhava comigo, que dormia, que tinha pesadelos, que falava. Desculpa mas eu não sei se tenho a escolha de aparecer ou não nos teus sonhos.
Ele começou a chorar desesperadamente e aliviado na minha frente, como se sentisse que alguém tiraria sua vida naquele instante, por nada. Eu não sabia o que fazer além de continuar caminhando ao lado dele, contando com sua presença todos os dias.
Abriu um sorriso dentre as lágrimas e disse:
___ Venho cuidando de você há anos, veja só como cresceu!
Nada daquilo fazia  sentido pra mim, eu sempre tive o mesmo tamanho, a mesma idade, o mesmo peso e cor dos olhos, que eu me lembre. Perguntei à ele de onde vinha, não que isso fizesse muita diferença, mas daquele momento em diante me interessei por sua existência.
___ De onde uma estrada é pouco demais, quase um nada.
Não quis saber mais nada.
Ele me tomou pela mão, o arco-íris imediatamente exibiu suas cores esplêndidas, ainda mais bonitas do que sempre foram. Eu senti pela primeira vez em toda a existência dele na minha estrada que ele realmente estava com medo, talvez ele não quisesse voltar de onde viera, acho que era isso. Ele sumiu mais uma vez, e como era de costume todas as vezes em que ele sumia, eu continuava a caminhar, desta vez com medo outra vez, tinha me esquecido como era sentir medo.  Conversei com algumas árvores e continuei andando, a qualquer hora ele retornaria, e assim aconteceu.
___ Decidi ir embora.
Ele me disse com uma serenidade quase irritante, e com um olhar tão decidido que me intimidou.
___ Achei que nunca fosse me deixar, são tantos anos, vimos tantas coisas nessa estrada, me protegeu, me aqueceu, cuidou, cativou...
Falei, com a intenção de que ele mudasse de ideia e viesse me ver todos os dias, como nos últimos aproximadamente 50 anos. Falei firmemente, mas por dentro eu não passava de um poço de medo e um mar de inconformidade.
___ Decidi ir embora de onde eu vim, decidi dormir para sempre.
Eu já estava confusa demais para entender qualquer sílaba que saia daquela boca, com um formato gostoso, mas sabia que ele não iria mais embora por alguns minutos, horas ou dias, sabia que ele estaria para sempre  ali. Aliviada com a situação permiti que ele morasse dentro de mim,  e assim que ele desapareceu diante dos meus olhos eu o senti para sempre, de onde nada o tiraria, e ali ele ficou. Nunca mais o vi, mas sinto sua presença dentro de mim  cada vez mais forte, o tempo inteiro, para sempre e me guiando até o fim da estrada, se é que a estrada existe.

Eu nunca imaginei que seria a escolhida.

Eu fui escolhida entre seis vírgula oito pessoas no mundo inteiro para sentir isso, eu nem sei a quem agradecer, se a mim, se a você, deus ou quem quer que seja. Mas que SEJA! Que seja SEMPRE e para sempre, porque eu nunca mais quero parar de sentir.
Olho pro passado e dou risada do quanto de tempo foi desperdiçado, do quanto de sofrimento gasto por nada, do quanto de empenho em vão, de três palavras mentirosas que saíam da minha boca com tanta facilidade e com tanta rapidez, como se fossem nada, e eram. Mas o tempo passa, as coisas mudam e aquilo que deram o nome de destino, passa a se concretizar, todos os dias, uma conquista ou outra, na verdade muito mais desilusões do que conquistas, mas ainda assim as conquistas vêm dias sim dias não. As coisas realmente são feitas no seu devido tempo e espaço. Se eu não tivesse passado pelo que passei, se não tivesse escarrado um ‘eu te amo’ feio e porco na cara de algumas pessoas,  que eu nem se quer achava que existia alguma coisa parecida com um sentimento de querer bem, talvez eu não soubesse valorizar o eu te amo que vem do peito mas que guardo na boca agora, e que como diz o meu homem : Tem até sabor. Por falar nele eu mal sabia eu que iria encontrar o homem da minha vida, mas ainda assim eu o amava desde antes, desde quando eu era um nada, não que eu seja alguma coisa muito acima disso, mas desde quando eu não tinha sentidos, desde quando eu nem pensava em existir, desde quando tudo não passava de um mar de negro de astros e estrelas, ou até mesmo antes disso, desde antes de qualquer coisa existir, eu já o amava com a mesma intensidade de hoje, e sempre, eu o amava com o mesmo tamanho, empenho. Eu o amava mais do que qualquer outra coisa, e queria ter a presença dele por perto o tempo todo, colado em mim, num só corpo, cuidando, cultivando, conquistando. Isso é amor, ahhh amor..

 ... Se eu tivesse o poder de implantar o amor no coração das pessoas, eu faria.
Na verdade eu acho que isso é o mínimo que uma pessoa pode fazer pela outra, ensinar a amar. Eu aprendo todos os dias com o amor, aprendo que sempre é possível quando se tem com quem contar, aprendo que nada acontece por ‘acaso’, que tudo é estratégicamente colocado em nosso caminho para sabermos se somos ou não merecedores desse sentimento tão sublime, aprendo que cada sorriso que eu recebo do meu amor me alimenta, que cada bronca que eu recebo não serve para nada mais além de me ensinar como fazer o certo, que cada beijo que eu recebo me apaixona que cada palavra que sai da boca dele me convence e  que cada olhar me envolve, que cada abraço me aquece, que cada brincadeira me faz gargalhar, que cada dom que ele tem me impressiona, que qualquer coisa que ele faz me deixa absolutamente sem palavras, aprendi que cada lágrima que sai do olho dele por injustiça ou qualquer outra coisa que faça mal é como se fosse transbordada dos meus olhos, que cada angustia sentida por ele é por mim também, aprendi que não importa quantas pedras hajam no caminho, que SEMPRE é possível passar  por cima, aprendi que não importa o quanto eu aprenda, que eu sempre vou querer aprender mais e mais, e sentir mais e mais e fazer por merecer. Ainda me sinto pequena demais pra falar de amor, mas ainda assim continuo falando, e nunca vou parar, porque o amor é para ser gritado. AAAH!

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